Os Bórgias: poder, sexo e glória na sua TV

Não sei se começo a escrever o post tratando especificamente da família Bórgias que inspirou propriamente o seriado ou começo tratando do alvo maior do poder do patriarca dos Bórgias, Rodrigo Bórgia: o mais alto posto decisório da Igreja Católica Apostólica Romana, o Papado. Acho melhor começar realmente tratando da luta do então Cardeal Rodrigo Bórgia por se tornar o Papa, ou seja, o mais alto cargo político no mundo Ocidental. A religião, mais do que nunca, era uma porta aberta para as pretensões de poder de qualquer indivíduo minimamente interessado em determinar alguns importantes rumos da sociedade. E Rodrigo Bórgia detinha e muito esse perfil (foi Vice-Chanceler do Vaticano, serviu ao Vaticano como Diplomata e foi um alto cardeal, fatores que soube muito bem instrumentalizar a seu favor em sua pretensão papal após a morte do Papa Inocêncio VIII), tornando-se, através de inúmeras artimanhas, corrupção desenfreada no alto clero católico e muita devassidão, o Papa Alexandre VI. Todo este cenário de corrupção e degradação moral será fortemente criticado por religiosos cristãos e por Princípes, resultando, mais adiante, na Reforma Protestante encabeçada por Martinho Lutero. Mas vamos ao seriado (ou à história?)!


A série Os Bórgias foi produzida pela Showtime e teve como diretor Neil Jordan (nos seus dois primeiros episódios) e estrelada por Jeremy Irons como Rodrigo Bórgia/Alexandre VI. A história retratada na série foca o momento de ascensão papal de Rodrigo Bórgia, em 1492, articulando uma rede de poder em torno de sua família: sua filha Lucrécia Bórgia (tão inocente ao primeiro capítulo e uma futura femme fatale), Césare Bórgia ( um verdadeiro estrategista, “preso”, neste momento, ao cargo de Cardeal pelo pai e uma verdadeira inspiração para O Princípe de Maquiavel). Ah, sim, algo importante de se dizer. Um dos fatores que gerou uma grande balbúrdia, ao longo da história, em torno dos Bórgias foi como essa família, sedenta por poder, mantinha estreitas relações sexuais para atingir seus objetivos de glória e poder e, em alguns casos, o sexo entre irmãos (Césare e Lucrécia) e talvez até entre pai e filha. O incesto é um tabu em sociedades ocidentais e o imaginário criado (sob uma base real ou não)  em torno dos Bórgias foi intensificado e muito com as histórias sobre as relações entre Lucrécia e seu irmão Césare e, também, até seu pai, o Papa Alexandre VI/Rodrigio Bórgia. Sim, a parte incestuosa da história dos Bórgias chama atenção. E a série de TV, Os Bórgias, vai retratar essa delicada rede de sexo e poder, sob doses cavalares de incesto, assassinatos e muita perversão moral. Além de Jeremy Iron, como Rodrigo Bórgia/Alexandre VI, temos François Arnaud (Césare Bórgia) e Holliday Grainger (Lucrécia Bórgia) estrelam essa série de televisão que promete estimular e muito a imaginação de seus telespectadores.

Wine with The Borgias

Fica uma dúvida: um dos dogmas da Igreja Católica é sua infalibilidade. Fico imaginando como seria a justificativa, de um Bispo ou Cardeal Católico de nossos dias, da Igreja que representa e, principalmente, deste dogma absurdo que gerou, ao longo dos séculos, tanta corrupção e efeitos perversos nas sociedades humanas que abraçaram e não abraçaram o Cristianismo. Outra curiosidade: Alexandre VI é considerado Santo pela Igreja Católica? Caso seja, não estranharia. Lamentavelmente. Excomunga-se um Leonardo Boff, mas um Alexandre VI merece um alto posto como o de Papa. Lastimável.

Abaixo segue o trailer da série e o link para download do Primeiro Episódio.

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