por Ben Hazrael
“Como se diz, vale tudo no amor e na guerra e como no caso, trata-se de ambos, maior a validade. (…) Embora ostente eu os cornos de um traído, não serão eles coroa que usarei sózinho. Como vê, meu rival, embora inclinado a pernoitar fora, amava a mulher que tinha em casa!”
Quem lê uma passagem dessas pode imaginar uma personagem numa situação de tensão emotiva extrema, absorta completamente numa relação amarga de traição e vingança. É, de certa forma é isso mesmo, mas longe, muito longe de imaginar que essa “mulher” ou “os cornos de um traído” se tratam de um relacionamento de duas pessoas de carne e osso. Não, ao menos uma delas passa longe de carne e osso. É um ideal. E estamos tratando da maior obra de Histórias em Quadrinhos de todos os tempos (na minha opinião de leitor voraz de HQ): V de Vingança.
Muitos (as) consideram que a melhor obra de HQ do bruxo barbudo Alan Moore seja Watchmen. Eu discordo. As razões são variadas. Seja pela empatia pela temática da obra, seja pela qualidade textual que a cerca (os melhores diálogos que já li, até mesmo na literatura). V de Vingança é, na minha opinião, mais do que uma HQ. É um verdadeiro manifesto, no melhor dos sentidos e vamos, então, degustar essa HQ!