DC Comics – the new 52: crise ou oportunidade?
Quando foi anunciado aos “quatro cantos da internet” que a DC Comics sofreria uma reformulação hard fiquei pensando que provavelmente não seria uma reformulação, mas apenas um ajuste. As semanas passaram e o que achei que seria um ajuste se tornou realmente uma reformulação editorial de proporção e nível “Crise nas Infinitas Terras” (ou talvez até maior): Detective Comics e Action Comics, os dois títulos de mais longeva peridiocidade da DC (e até mesmo das HQ) seriam reiniciadas a partir da edição #1. Ao ver esse anúncio no DC Universe: The Source, blog oficial da DC, notei que a coisa seria grande.
Mas quão grande?
Os títulos relacionados ao Batman e ao Lanterna Verde permanecerão como estão, grosso modo. É aquela máxima: “em time que está vencendo não se mexe!”. E, no caso, não se mexeu mesmo. Pouquíssimas alterações e talvez a maior delas seja o retorno de Bárbara Gordon ao posto de Batgirl. Nesse caso, as coisas ainda estão bem nebulosas: a história de “A Piada Mortal de Alan Moore” ainda é válida? Bárbara Gordon se tornou Oráculo ou não? E muitas outras perguntas surgem. E só serão respondidas com o passar das edições. E é neste ponto que quero reforçar uma impressão que vem me acometendo ao longo das últimas semanas com o anúncio do DC Relaunch: muita gente reclamando, tendo algumas crises beirando a “histeria internética” sem ter lido nada ainda desse Universo DC Pós Relaunch.
Nada saiu ainda e mesmo assim muita gente reclama que vão modificar seus personagens, que comprou os gibis durante anos e agora tudo muda e mimimi mimimi e mimimi de tanto chororo de poodle. É uma baita frescuragem ficar na critica e choradeira sem ter lido nada ainda. Alguns títulos necessitavam urgentemente de mudanças drásticas, como a Liga da Justiça (tenebrosamente escrita pelo James Robinson e completamente sem rumo editorial) ou a Mulher Maravilha e Aquaman, personagens que mais do que mereciam uma verdadeira “tábula rasa” para suas histórias e títulos. A inclusão do Stormwatch (a equipe do Universo Wildstorm que antecedeu o Authority) foi, para mim, talvez a notícia mais empolgante – ainda mais escrita pelo ótimo Paul Cornell. Sem esquecer, claro, os promissores títulos Red Lanterns (escrito pelo ótimo Peter Milligan e desenhado pelo brazuca Ed Benes) e Animal Man (título escrito por Jeff Lamire e desenhado por Travel Foreman), entre outros.
É claro que também nem tudo está 1000%. Por exemplo, os Novos Titãs perderam muito com essa reformulação (e não digo apenas por causa do Cyborg ser, agora, membro fundador da Liga da Justiça – o que já era mais do que hora de galgar espaço para o personagem) e talvez essa perda se deva, especialmente, aos personagens Donna Troy e Wally West. Dan Didio, Jim Lee e Geoff Johns parecem não saber o que fazer com as personagens. Acredito que tanto Donna Troy e Wally West serão incorporados, não sei em qual momento exato, mas serão. A DC Comics não pode e nem deve, do ponto de vista comercial, eliminar personagens com uma historicidade e peso criativo de uma hora para outra. E por causa disso, tanto Donna Troy quanto Wally West retornarão, talvez modificados (como boa parte das personagens), mas retornarão.
Outro ponto delicado dessa DC Relaunch se chama Sociedade da Justiça da América. Neste caso, a situação é muito mais complicada, quando se compara ao caso dos Novos Titãs. Nessa reformulação da DC, o Superman voltou a ser o primeiro super-herói, portanto, nenhum espaço a possíveis heróis que o precederam: a Sociedade da Justiça da América. Desta forma, nada de Pantera, Lanterna Verde Alan Scott, Jay Garrick, Dr. Meia Noite, Sandman, etc. Da gama de heróis e heroínas apontados pelos Publishers e Editores da DC, apenas o Sr. Incrível (com um título próprio) e Karen Starr (veja-se, não a Poderosa de origem kryptoniana) darão as caras. Acredito que será outra medida passageira. A Sociedade da Justiça era um dos títulos que mais vendiam da DC Comics e os Publishers e Editores não vão jogar tudo para o alto. Vão fazer o que é mais óbvio: adaptar. Talvez a Sociedade da Justiça surja nesse novo Universo DC como uma espécie de antecessora do Stormwatch – lidando com crises inter-planetárias, ameaças sobrenaturais, etc. Mas sem uniformes no estilo super-heroístico. E acho que de uma ideia dessas poderia sair algo muito bom. Inclusive, foi publicado muitos anos atrás um Elseworld da Sociedade da Justiça com essa temática.
Portanto, o que esperar dessa DC Relaunch? Setembro vai se configurar como uma sintomática crise ou apenas o ganho de uma oportunidade?
Para melhor responder a essa pergunta nada melhor que o I Ching ( O Livro das Mutações, pescado da tradução de Richard Wilhelm). E no caso, nem é preciso “jogar” as varetas para obter uma resposta. Apenas refletir sobre o próprio princípio do Hexagrama “Ponto de Transição” (“Fu”), formado por apenas uma linha “yang” e cinco linhas “yin”. Segue abaixo a “sentença” relacionada a esse Hexagrama.
Sucesso.
Após uma época de decadência vem o ponto de transição. A luz poderosa que tinha sido banida retorna. Porém, este movimento não é provocado pela força. Com devoção, o movimento é natural e surge espontaneamente. Por isso a transformação do antigo também torna-se fácil. O velho é descartado e o novo, introduzido. Ambos os movimentos estão de acordo com as exigências do tempo e, portanto, não causam prejuízos. Formam-se associações de pessoas que têm os mesmos ideais. Como tal grupo se une em público e está em harmonia com o tempo, os propósitos particulares e egoístas estão ausentes, e assim erros são evitados. A idéia de retorno baseia-se no curso da natureza. O movimento é cíclico e o caminho se completa em si mesmo.

























Eu estou expectante para ver o que vai acontecer! Têm títulos que poderão vir a ser muito interessantes, outros só vendo depois…
Felizmente não mexeram com o Batman e o universo Green Lantern, os dois melhores da DC actualmente! Aliás, foram expandidos. Espero sucesso nessa expansão!
Tenho estado a apresentar no meu blog este reboot DC por linhas, e algumas parecem-me bem interessantes!
Abraço