A Galeria das Sombras

“Estamos na Galeria das Sombras, meu lar! Você gosta? Eu mesmo construí!” – V de Vingança

Para quem se perdeu no Cabaré das Ideias e aqui chegou, na Galeria das Sombras, 3/5 de palavra basta: aqui na Galeria das Sombras, consome-se histórias em quadrinhos de super-heróis e as “adultas” de forma voraz e muitas vezes assustadora, razão mais do que suficiente para prestigiar, num espaço exclusivo, a arte marginal que se constituem as histórias em quadrinhos. Aqui há muitas histórias contadas, analisadas, recontadas e, como diria V à Evey, em V de Vingança: 

- Todo mundo é especial! Sem excessão! Herói, amante, tolo ou vilão! Todo mundo! Todos têm uma história para contar…

Venha conhecer algumas.

Resenha com Cointreau: V de Vingança

“Como se diz, vale tudo no amor e na guerra e como no caso, trata-se de ambos, maior a validade. (…) Embora ostente eu os cornos de um traído, não serão eles coroa que usarei sózinho. Como vê, meu rival, embora inclinado a pernoitar fora, amava a mulher que tinha em casa!”

Quem lê uma passagem dessas pode imaginar uma personagem numa situação de tensão emotiva extrema, absorta completamente numa relação amarga de traição e vingança. É, de certa forma é isso mesmo, mas longe, muito longe de imaginar que essa “mulher” ou “os cornos de um traído” se tratam de um relacionamento de duas pessoas de carne e osso. Não, ao menos uma delas passa longe de carne e osso. É um ideal. E estamos tratando da maior obra de Histórias em Quadrinhos de todos os tempos (na minha opinião de leitor voraz de HQ): V de Vingança.

Muitos (as) consideram que a melhor obra de HQ do bruxo barbudo Alan Moore seja Watchmen. Eu discordo. As razões são variadas. Seja pela empatia pela temática da obra, seja pela qualidade textual que a cerca (os melhores diálogos que já li, até mesmo na literatura). V de Vingança é, na minha opinião, mais do que uma HQ. É um verdadeiro manifesto, no melhor dos sentidos e vamos, então, degustar essa HQ!

Batman: o Cavaleiro Anarquista das Trevas

Imagine um mundo mais cinza. E um mundo além de mais cinza, também regido por uma Guerra Fria que, ao momento da história desenrolada, está numa aguda crise em “Corto Maltese”. Esse momento cinza por que passa o mundo se localiza, temporalmente, na década de 1980. E quem é o Presidente dos Estados Unidos é Ronald Reagan, uma mistura de ator, cowboy e político. Essa mistura é palco de momentos surreais na HQ, me lembro especialmente daquele em que, sendo entrevistado sobre a “Crise Batman”, o Presidente Cowboy responde à câmera: “isto não é de meu rancho”. E de onde viria essa “Crise Batman” e no que ela interferiria na estabilidade política daquele mundo?

Multiverso DC Comics: Crise nas Infinitas Terras e Flashpoint, mais do mesmo?

Versões drásticas ou levemente alteradas de personagens, mas também da própria história humana. Era muito divertido ficar pensando nas milhares de alternativas possíveis para se desenvolver roteiros de HQ: e se a Alemanha e o Japão tivessem vencido a Segunda Grande Guerra, que realidade viveriam Batman e Superman? e se Batman fosse o único herói no Planeta Terra diante da invasão de Apokolips, planeta do poderoso Darkseid?

The Authority – uma revolução em quadrinhos

Perdoem-me os fãs de Liga da Justiça, Vingadores, X-Men, Novos Titãs, etc. Mas se existe um super grupo que pode ser denominado como sem frescura é o Authority. E olha que sou fã de carteirinha da Liga da Justiça (especialmente a escrita pelo genio desequilibrado do Grant Morrisson), mas em se tratando de pensar “a porra da realidade” de um universo onde homens e mulheres voam e disparam dos olhos e dos dedos raios e feixes de energia, não tem ninguém que bata o Authority.

Histórias em Quadrinhos de Super-Heróis: está faltando um ISO 9000, não?

A profusão de histórias em quadrinhos em narrativas longas, cada vez mais longas, com pouco conteúdo verdadeiramente “original” diminui cada vez mais em conformidade direta a necessidade voraz de novidades. É como se fosse uma lei da oferta e da demanda. E, neste sentido, o ruim alimenta a produção de algo ruim para servir a quem busca algum tipo de prazer rasteiro, mas de fácil esquecimento que estimulará a busca por algo maior, mais propenso a sanar a sede por boas HQs. Mas não é o que ocorre. Ao contrário. É como se faltasse uma espécie de certificação ISO 9000  de gestão da qualidade nas HQs.

No dia mais claro, na noite mais densa: o legado da força de vontade dos Lanternas Verdes

A primeira vez que tomei contato com o personagem Lanterna Verde foi na qráçica Crise nas Infinitas Terras, lançada na extinta revista Superamigos, lá pelas bandas dde 1985-1986. E o Lanterna Verde em questão era John Stewart. Gostei de cara, como dizem. Ao mesmo tempo, assisti a um episódio de “Superamigos” em que aparecia outro Lanterna Verde, agora o Hal Jordan. Era criança e fiquei confuso. “Dois Lanternas Verdes?” Bom, a dúvida logo deixou de existir quando o tempo passou e vi, num sebo que nem sei se existe mais no bairro do Porto na saudosa Cuiabá, a capa de uma revista Superamigos com a TROPA dos Lanternas Verdes. Tenham certeza, o impacto na minha mente infantil foi grande.

Versões drásticas ou levemente alteradas de personagens, mas também da própria história humana. Era muito divertido ficar pensando nas milhares de alternativas possíveis para se desenvolver roteiros de HQ: e se a Alemanha e o Japão tivessem vencido a Segunda Grande Guerra, que realidade viveriam Batman e Superman? e se Batman fosse o único herói no Planeta Terra diante da invasão de Apokolips, planeta do poderoso Darkseid?